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Análise O Ouro, a Prata e o Mercado Financeiro Internacional – Atualidades Para que se possa vislumbrar, com algum grau de clareza, a presente situação do atual estado em que se encontra o sistema econômico e financeiro do mundo inteiro, há que se possuir habilidades de visão caleidoscópica e um mínimo de experiência com jogos do tipo quebra-cabeças. Isto porque se vislumbradas as análises micro e macroeconômicas atualmente vigentes, o resultado de suas combinações bem que poderia se assemelhar à beleza das imagens formadas pelos fragmentos de vidro colorido no fundo dos caleidoscópios (vocábulo derivado do Grego e que significa: bela imagem). Mas ainda que se movimente, e até que se sacuda, o caleidoscópio, não surge nenhuma bela imagem, muito pelo contrário. A angústia e a aflição de muitos desses analistas internacionais ao buscar delinear o atual caos econômico e financeiro que se alastra pelo globo é facilmente perceptível. Não bastasse isto, abundam as contradições, as desarmonias das projeções, os erros e ainda um forte teor de otimismo infundado, lamentavelmente. Certamente as dificuldades para que se pudesse avaliar a atual situação do sistema econômico e financeiro, sobretudo do ocidente, seriam bem menores se as escolas de economia dos dias de hoje não estivessem tão enfermas e infectadas com a estupidez do Keynesianismo. O intervencionismo apregoado por John Maynard Keynes tem sido não somente um agravante da atual crise, mas um de seus próprios cofatores causais. Por isso, seguramente, já se pode vislumbrar no horizonte o ocaso de um sistema econômico fundamentado em dívidas, razão pela qual já se pode ler em diversos artigos de Economia a expressão: Repressão Financeira. A expressão aparece em uma recente publicação do Bank for International Settlements (BIS), com sua central de operações na Suíça e unidades representativas em Hong Kong (hoje uma Região Administrativa Especial da República Popular da China) e no México. Fundado em 1930, o BIS é o mais antigo organismo financeiro da atualidade. Sua finalidade é a de orientar os bancos centrais na busca da estabilidade monetária e financeira, promover a cooperação internacional nestas áreas e ainda atuar como um banco para os bancos centrais. A expressão Repressão Financeira se refere aos diversos empréstimos realizados para governos de diversos países na forma de captação de fundos por meio de títulos públicos, seguros, taxa de juros, restrições nos fluxos de capital, e a uma estreita relação entre Bancos e Estado. Estes instrumentos serviram no passado recente para a redução dos patamares de dívidas de governos em relação ao seu Produto Interno Bruto (PIB), particularmente nas duas décadas seguintes à Segunda Guerra Mundial. Estas manobras, porém, sempre estiveram acopladas a níveis de inflação moderados. Algumas dessas medidas continuam a ser implementadas até hoje, inclusive na Zona Euro. A questão é: por quanto mais tempo poderão ser implementadas? A resposta é enquanto investidores, sobretudo as pessoas físicas, persistirem em continuar suas participações nesse jogo. Jogo esse que foi dramaticamente mudado a partir de Bretton Woods, quando foram atingidos em suas bases de sustentação fundamental, não somente o dinheiro (até então lastreado em metais preciosos) mas também o patriotismo, sendo estes dois últimos o principal sustentáculo do dólar, até então uma moeda inquestionável, evidentemente. Porém, o que agora ocorre não tem nada a ver com o antigo e salutar padrão-ouro, mas sim com um "padrão-dólar" com significativa participação de domínio alienígena proporcionado e alimentado pelo atual sistema econômico baseado e atrelado às dívidas que os EUA possuem para com os detentores de seus muitos títulos públicos. Some-se a isto uma crescente onda de descrédito popular em seu próprio dinheiro, um movimento contramão face ao histórico patriotismo norte-americano. E algo semelhante também pode ser visto na zona do Euro, respeitadas as respectivas situações históricas que bem distinguem o Dólar do Euro, este último já tendo nascido infectado pelos tumores do Keynesianismo. Na realidade, como já sabemos, os problemas econômicos e financeiros estão em um crescimento rápido e inédito em sua forma. A situação de hoje é muito diferente do final da Segunda Guerra quando os gastos estavam voltados para a reconstrução de um futuro, como fizeram na década de 1950 e 1960. Em vez disso, os problemas sistêmicos e econômicos de hoje estão levando a uma deterioração ainda maior nas finanças dos governos, e é evidente que a assim chamada Repressão Financeira (expressão cunhada por Carmen Reinhart na publicação do The Liquidation of Government Debt (A liquidação da dívida do Governo) em documento do BIS, já tem a aplicabilidade com seus dias contados. Diante desse inquietante quadro, é simplista a idéia de que o Ouro e a Prata estejam sendo buscados “simplesmente” como porto seguro para proteção contra a inflação das moedas do mundo (todas elas já condenadas a perecer no fundo do poço inflacionário causado por esse sistema financeiro baseado em intervencionismo e em dívidas – o resultado final da praga Keynesiana – a doença vence no final). Muito mais do que isso, o Ouro e a Prata já começam a experimentar o renascimento de seu status original de moeda, fenômeno este fortemente atrapalhado pela especulação nas cotações destes metais preciosos, em boa parte devido ao escândalo dos ETFs (Exchange Traded Funds), como apontou o Financial Stability Board (FSB), um dos braços do já citado Bank for International Settlements (BIS). Em abril de 2011, o Financial Stability Board assim se referiu aos ETFs: “ETFs não são veículos baratos e transparentes como nos querem fazer acreditar. Muitos desses fundos são agora extremamente complicados e muito além da compreensão dos investidores individuais e dos profissionais que os estão comprando.” (NEW YORK, TheStreet: Gold Prices Reclaim Rally). De qualquer modo, parece haver um crescente consenso de que a despeito de uma débil recuperação do Euro e do Dólar, o Ouro poderá fechar 2012 até mesmo acima dos US$ 2000 dólares a onça troy. Quanto mais dinheiro lastreado em nada (Fiat Money) for injetado na economia, melhor para o Ouro e para a Prata. Na medida em que cresce a inflação, agora em 4,2% (EUA), e esta supera as taxas de juros, agora em 3,5% (EUA), o dinheiro no banco perde seu valor, o que torna o Ouro e a Prata mais atraentes como ativos alternativos e seguros.
Equipe Ouro&Dinheiro
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