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O Ouro e o Banco Central
Como a maioria dos bancos centrais
do mundo, o BC brasileiro desacreditou no futuro do ouro como
investimento e/ou reserva de valor, principalmente no período próximo à
entrada deste século. Nos fins dos anos de 1990 era comum ler nos
jornais que determinados bancos centrais estavam “liquidando” suas
reservas em ouro, incluindo o inglês e o australiano (seu filhote
cultural), baluartes na defesa do metal como reserva de valor.
O BC do Brasil, que já teve mais de 100 toneladas de ouro, também as
reduziu e, pelos dados disponíveis, publicados no dia 22, desde 2002
estabilizou sua reserva em ouro em 1.080.000 onças troy, ou,
aproximadamente, 35 toneladas.
Pois, se em 2002 essa parcela das reservas internacionais valia US$ 375
milhões, sem nenhum esforço, só pelo fato de deter e guardar o metal,
elas, em outubro último, valiam US$ 652 milhões, ou 74% mais, variação
positiva que o BC certamente não obteve nos demais componentes das
reservas.
Teria errado o BC do Brasil por não manter maior parcela das reservas em
ouro? Diria o Conselheiro Acácio que, se soubesse que se valorizaria
tanto, teria colocado 100% das reservas em ouro, porém, o pensamento
reinante ao final da década passada (e do século 20) era que o ouro,
depois de milênios, perdera quase totalmente sua mágica função de
reserva de valor e os mercados chamados derivativos que permitem, em
tese, qualquer tipo de proteção (hedge) haviam se tornado o substituto
definitivo do metal no concerto monetário internacional. Um erro que já
fora cometido antes.
Após o chamado Acordo de Bretton Woods, do final da Segunda Guerra, pelo
qual um grande número de países convencionou fixar taxas de câmbio de
suas moedas em relação ao dólar dos EUA, ao tempo em que se definia uma
relação fixa entre esse mesmo US$ e o ouro (US$ 34 por onça-troy ,
posteriormente com um pequeno ajuste para 38), a muitos pareceu que
investir em ouro não traria mais nenhuma rentabilidade, eis que seu
valor fora congelado, situação que perdurou por mais de 30 anos até
1978, quando Nixon – presidente dos EUA – mandou às favas o acordo e o
mundo assistiu, assombrado, a uma onça-troy de ouro ser cotada acima de
700 dólares.
Teóricos do comunismo tentaram banir o ouro do mundo “moderno” de um
século atrás, qualificando o metal de “relíquia bárbara”. Mas, passa o
tempo, passam os séculos e, quando menos se espera, o ouro ressurge como
opção às incertezas de qualquer povo, qualquer tempo, qualquer
circunstância. Somando dúvidas sobre uma eventual bolha prestes a
explodir nos EUA, com uma angústia ainda não muito bem explorada ou
explicada sobre a durabilidade dos mecanismos derivativos, os juros
internacionais historicamente baixos – abaixo inclusive da própria
inflação, o que origina juros reais negativos - como se estivéssemos
novamente em um pós-guerra, mais, ainda, uma montanha de dinheiro nas
mãos de novos ricos (chineses, russos, indianos) e a resultante é um
novo espetacular aumento nas cotações do ouro e a recuperação da função
de reserva de valor que exerce desde o Egito dos faraós.
Fonte: DiarioNet |