China se diz pronta para introduzir o Yuan como Nova Moeda de Reserva Internacional
Os Investidores já sabem que ganhos
financeiros podem ser obtidos quando se acreditam em rumores e estes são
passados ao público em forma de notícias. Saber, de antemão, que algo
vai ocorrer, quando o resto do mercado simplesmente ignora o assunto,
pode trazer grandes lucros a determinados investidores, sobretudo aos
que acreditam na eficácia das especulações.
Todavia, já não há mais como ignorar a
evidente metamorfose no mercado internacional no que diz respeito à
procura por alternativas diante do enfraquecimento do dólar.
Tendo isto em mente, parece que o mercado está olhando apenas de relance
para o fato de a China estar não
apenas pavimentando o caminho para começar a abandonar o dólar e abraçar
com mais força a sua própria moeda, o Yuan, mas sim em um estágio mais
avançado do que o de simples preparação. E um dado interessante é que
mesmo muitos americanos ignoram estes acontecimentos por completo.
Em 18 de janeiro de 2011, no dia em que o presidente chinês Hu Jintao
iniciou uma visita oficial aos Estados
Unidos, a moeda chinesa atingiu sua mais alta cotação histórica frente
ao dólar.
Começando em dezembro passado (2010), a China iniciou uma campanha de
retórica afirmando que os dias do dólar como moeda de reserva
internacional já estão contados. A partir da retórica, a China vai se
movendo lentamente das palavras à ação. O Yuan já começou a ser
utilizado em transações internacionais, em lugar do dólar, e alguns
países já estão se acostumando a essa nova prática.
Em um recente artigo publicado no Wall Street Journal, a China falou
sobre a necessidade de cooperação com os
EUA, mas que devem estar preparados para considerar a idéia de que o
dólar como moeda de reserva internacional "é algo que já pertence a
passado".
Sob a administração Bush, houve várias tentativas por parte da China de
comprar empresas americanas, mas devido a razões de segurança nacional
essas negociações foram interrompidas. Entretanto, isso foi há alguns
anos atrás. Agora, em uma situação de dívida cada vez mais grave, há
quem já considere os EUA à beira da falência, e a China tem sabido
aproveitar bem a oportunidade adquirindo recursos e infra-estrutura ao
redor do mundo. Os chineses têm realizado diversos contratos com
empresas e com países da América do Sul, África, Rússia e Ásia. E
recentemente, propuseram comprar grande parte da dívida de países da
União Européia.
Enquanto isso, os Estados Unidos já começam a entrar em um isolamento
econômico sem precedentes. Alguns
analistas acreditam que muito em breve os EUA já não mais poderão contar
com a mesma pujança de produção e
poder econômico para se manterem na posição de a economia número um do
mundo, e os detentores da principal
moeda de reserva internacional. Até mesmo os países exportadores de
petróleo do Oriente Médio já estão se
voltando para a China em contraposição à América, e as consequências
disso para a moeda norte-americana são
óbvias.
Outro movimento muito recente realizado pela China mostra que sua
"parceria" com o dólar e com a América está
enfraquecendo rapidamente. A China vem aumento suas reservas em Yuan, em
uma tentativa de fortalecer ainda mais sua própria moeda, tornando mais
caras as exportações para os Estados Unidos, o que tem como consequência
a subida dos preços de diversos produtos nos EUA.
Na tentativa de abordar as frágeis políticas de empréstimos adotada por
bancos chineses, o governo de China
determinou que seus bancos aumentem a quantidade de dinheiro que cada
banco possui em reservas, com uma redução na disponibilidade de crédito.
O fortalecimento do yuan está se dando essencialmente de duas maneiras:
primeiro, suas importações se tornarão substancialmente mais baratas e,
segundo, suas exportações ficarão mais
caras.
Este é, precisamente, o movimento que os EUA não desejavam que a China
adotasse, já que uma enormidade de bens de consumo de fabricação chinesa
estão estocados em lojas dos EUA, enquanto permanece a grande demanda
por esses produtos entre os americanos, produtos esses acessíveis ao seu
poder de compra (ou ao acesso ao crédito para comprá-los).
Seja lá o que for que nos aguarda no futuro, o fato é que a China já
começa a distanciar seus olhares dos EUA e focá-los no resto do mundo, o
qual, brevemente poderá já estar considerando o Yuan como uma moeda
forte e estável e um importante candidato ao status de moeda de reserva
internacional.
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