O Dólar Norte-Americano. Do Ouro à Fumaça.

Saiba porque a moeda de reserva internacional dos Estados Unidos que um dia valeu Ouro, hoje corre o risco de virar fumaça.

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Leia aqui a Introdução do nosso novo livro publicado

Equipe Ouro&Dinheiro - 2011

O Dólar Norte-Americano. Do Ouro à Fumaça.

Introdução

O que hoje entendemos como Império Romano significou, em termos históricos, bem mais do que apenas uma civilização situada em um determinado período da História. Nos tempos de sua ascensão, auge e esplendor, Roma era como que um centro gravitacional do mundo de então. Estamos aqui falando de uma civilização que, a despeito de divisões esquemáticas da História, durou, pelo menos, cerca de 1.000 anos. E embora não possuamos nenhum motivo particular a fim de tecer elogios ao Estado Romano, não podemos deixar de reconhecer o papel político, cultural e econômico que Roma teve sobre a História.

Quando Roma soçobrou em meio a graves crises de diferentes matizes, com ela também afundou todo um sistema econômico ao qual praticamente toda a Europa se encontrava atrelada. E a consequência mais inicial daquele fato foi o começo de um dos períodos mais estranhos de toda a História: a Idade Média.

De um modo algo semelhante, também não nutrimos nenhuma grande admiração pelos Estados Unidos da América. Todavia, ignorar a importância política e econômica que essa nação tem tido no mundo, ao longo de, pelo menos, duzentos anos, seria pura alienação.

Dentre outros feitos notáveis, os Estados Unidos da América conseguiram realizar a proeza de manter uma moeda estável durante nada menos do que 415 anos, o Thaler, que era cunhado em prata, desde 1518, em Joachimsthal na Baviera (atual Alemanha) e que viria a dar origem ao dólar muitos anos depois. O Thaler de prata já era utilizado como dinheiro na Europa e na América do Norte bem antes da Declaração da Independência, em 4 de julho de 1776. Por outro lado, em uma realização de proporções nada inferiores, esta mesma nação está conseguindo outra proeza, qual seja, a de colocar na beira do abismo a sólida economia de uma nação com mais de dois séculos de existência, sendo que a estabilidade de sua moeda já era notável mesmo antes que treze colônias britâncias declaressam a independência e os Estados Unidos da América passassem a existir como nação, oficialmente. E esta proeza passa, inevitavelmente, por uma destruição progressiva da moeda norte-americana, o dólar. O que aos olhos de muitos parecia impossível, tornou-se improvável, passando de improvável a algo iminente e, hoje, trata-se de um processo já em pleno curso.

Até 1933, a moeda norte-americana era lastreada em ouro, e o Tesouro dos Estados Unidos emitia títulos lastreados em prata ou em ouro, o que, basicamente, significava que a população americana, a qualquer momento, poderia resgatar o papel-moeda em ouro físico ou em prata. No entanto, a Grande Depressão mudou a situação. Devido à quebra da Bolsa de 1929 e à depressão que se seguiu, mais de 12 milhões de pessoas estavam desempregadas no verão de 1932.

No final daquele ano, Franklin Delano Roosevelt foi eleito em sua plataforma para o povo americano, o New Deal, e seu primeiro ato como presidente foi decretar um feriado nacional marco em 12 de abril de 1933, em meio à onda de corridas aos bancos, quando a população buscava resgatar seu dinheiro em ouro (o dólar era um título resgatável em ouro). Em 20 de abril, Roosevelt assinou o Emergency Banking Act de 1933, que tornou ilegal para os americanos possuírem ouro e exigiu que os cidadãos americanos entregassem seu ouro ao governo.

Em 1944, em Bretton Woods, foi realizada uma Conferência Internacional. O objetivo deste encontro de três semanas, com 700 delegados de 44 países, foi o de determinar o valor do dinheiro na era pós-Segunda Guerra Mundial. Nessa conferência, o dólar dos Estados Unidos, lastreado em enormes reservas de ouro, foi nomeado moeda de reserva internacional para o mundo. O que isso queria dizer era que todo o comércio mundial, de um modo ou de outro, passaria a usar dólares americanos em suas atividades comerciais. Diversas outras moedas do mundo estariam ligadas ao dólar em taxas de câmbio fixas. Além disso, esses países poderiam converter os dólares que possuíam, a qualquer momento, para o ouro, se assim desejassem. Porém, as coisas não permaneceram assim. Não demorou muito até que estranhos eventos começassem a acontecer, mudando, para sempre, a gloriosa história de uma moeda que um dia valeu ouro e hoje corre o risco de virar fumaça.

Neste livro examinaremos o passado e o presente da economia dos Estados Unidos da América (com perspectivas e expectativas para o futuro) e veremos o que está acontecendo com a moeda americana. Mais do que isto, procuraremos demonstrar como a ruína da estabilidade econômica dos Estados Unidos pode arrastar consigo, para o fundo do poço, praticamente tudo o que hoje reconhecemos como sendo a economia ocidental.

Embora muitos brasileiros não estejam familiarizados com a história dos Estados Unidos da América, procuraremos ressaltar, de modo sucinto, aspectos importantes de períodos históricos chave da história dos EUA a fim de que, ao final, o leitor possa ter um quadro mais amplo, no qual poderá ver inseridos, e formando a imagem final, estes aspectos históricos. E a finalidade desta visão é a de compreender a situação presente da moeda norte-americana, e sua possível iminente implosão como moeda de reserva internacional.

Já é um fato consumado que explicações simplórias e fragmentadas não são, nem de longe, suficientes a fim de que se possa entender o que, de fato, está ocorrendo com a (pelo menos até agora) nação mais rica do planeta. Por esta razão, é imprescindível que se entenda, pelo menos o básico, da trajetória da economia americana. E neste livro apresentaremos ao leitor diversos momentos históricos marcantes e decisivos para a história do dólar americano, seu início, sua ascensão e seu declínio.

Veremos também como diversas economias do mundo estão se metamorfoseando para se tornarem membros de um gigantesco organismo econômico mundial, com enormes presas, o qual procurará devorar tudo o que estiver ao seu alcance.

Não levantaremos teorias, mas apresentaremos fatos, cabendo ao leitor chegar às suas próprias conclusões.

 

Equipe Ouro&Dinheiro

Investidores Independentes

www.ouroedinheiro.com

 

Sumário

Introdução

1-Uma breve Introdução à História do Dinheiro

2-Economia e Contabilidade no Antigo Egito

3-O Dinheiro Grego e Romano

4-O Surgimento dos Bancos

5-Os Bancos nos Estados Unidos da América

6-O Sistema Monetário dos Estados Unidos e o Papel-Moeda

7-O Dólar

8-A Manipulação da Moeda e o Início das Ondas Inflacionárias

9-Hiroshima, Nagasaki e Bretton Woods

10-O Bancor de John Maynard Keynes, a Moeda Global proposta pelo FMI

11-O Fim do Padrão Ouro

12-A Oferta de Dólares e o FED

13-O Dólar em Crise

14-O Fim da Hegemonia do Dólar

15-O Significado de Fiat Money (o Dinheiro Político)

16-Porque o Dólar continua a perder Valor e quais são as Consequências

17-Uma Moeda de Reserva Internacional Ameaçada

18-O que Fazer e como se Defender

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